AUTOR PORTUGUÊS NA BIBLIOTECA DA EBEC (ENCONTRO #01) |09 DE MAIO COM PAULO ILHARCO

Imagens recolhidas no dia do encontro (9 de maio) com o Professor e Poeta Paulo Ilharco alunos em leituras dos poemas do autor.

Para uma abrangência mais alargada que poderá ser no número de alunos a envolver, no mês de maio não assinalaremos, por ser bastante limitador, apenas o dia 22 como o Dia do Autor Português que é uma iniciativa promovida, desde 1982, pela Sociedade Portuguesa de Autores – SPA com o objetivo de homenagear todos os criadores portugueses nas várias áreas artísticas e culturais que contribuíram para o enriquecimento da cultura portuguesa e também, distinguir aqueles que se destacaram na defesa e promoção dos direitos de autor.

Assim, como já foi anunciado nesta web página, o mês de maio foi o mês escolhido para trazer em quatro dias distintos à Biblioteca da EBEC, na área da Literatura, cinco autores portugueses a saber aqui.

Para começarmos esta etapa, que é uma das últimas das muitas desenvolvidas ao longo deste ano letivo de 2016/17 na Biblioteca da Escola Eugénio de Castro, a nosso convite virá à Biblioteca da EBEC no próximo dia 9 de maio, entre as 9h15 e as 11h30 – o Poeta Paulo Ilharco, que é também professor de Inglês no nosso Agrupamento.

Nesta data a apresentação centra-se na obra de Paulo Ilharco, o que inclui o seu último livro publicado em 2015:  “RAIOS-X À ALMA – ECO DO SILÊNCIO”.

Deixamos o convite a toda a comunidade escolar para comparecer.

capa

imagem da capa do livro “RAIOS-X À ALMA – ECO DO SILÊNCIO, COIMBRA, 2015

contracapa
imagem da contracapa do livro “RAIOS-X À ALMA – ECO DO SILÊNCIO, COIMBRA, 2015

PAULO ILHARCO

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Dados biográficos/bibliográficos

Paulo Jorge Dias Nogueira Ilharco nasceu a 26 de Maio de 1961, na freguesia de São Bartolomeu, em Coimbra.

Ainda muito jovem, concluiu o curso superior de Línguas e Literaturas Modernas, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo-lhe sido atribuídas bolsas de estudo pelos governos britânico e espanhol.

            Desde então, tem vindo a exercer funções docentes, como professor de Português e Inglês, em diversas escolas do país.

            Em 1991, publicou o seu primeiro livro de poesia, intitulado “Sonetos Imperfeitos”, com posfácio do Professor-Assistente de Literatura e Cultura Portuguesas, no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, António Basílio Rodrigues.

            No ano seguinte, em 1992, lançou “Chão Sagrado – Sonetos Mais-Que-Imperfeitos”, com prefácio de Natália Correia. Tanto esta obra, como a anterior, foram adoptadas em cadeiras de Literatura Portuguesa, em diferentes instituições académicas do Porto.

            Em 1995, pôs na forja “Paranóia – Sonetos do Reencontro”, com prefácio do Doutor José Carlos Seabra Pereira, na altura Professor de Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

            Dois anos mais tarde, em 1997, viu o seu livro “Transgressão – Poemas Ao Ocaso” ser prefaciado pela Doutora Isabel Vaz Ponce de Leão, então professora na Universidade Fernando Pessoa, no Porto.

            Em 2002, 2004 e 2009, publicou, respectivamente, “E Nu Sente – Sonetos (E)ternos”, com prefácio do crítico e jurista Dr. Manuel Bontempo, “Ideias… E Dei-as! – Quadras Doídas Sem Acento No i”, com prefácio da poetisa Liz da Silva, e “Asas Versus Aspas – Poema De Força Na Cedilha”, com prefácio da Doutora Clara Murteira, professora na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

            Em 2015 deu a conhecer a sua vasta obra, “Raios-X À Alma – Eco Do Silêncio”, um livro com mais de 400 páginas, curiosamente prefaciado pelo próprio, o qual foi apresentado pela Dr.ª Isabel Garcia, das Edições MinervaCoimbra, em tom de “entrevista”, num sarau cultural, cuja sessão decorreu no emblemático Café Santa Cruz, em Coimbra, tendo o autor “casado” Música com Poesia, apresentando-se ao público, não só como poeta, mas também como cantor e compositor.

            Ao longo dos anos, tem rejeitado, com veemência, a inclusão do seu espólio em concursos literários, por motivos pessoais. Não obstante, tem aceitado inúmeros convites de várias escolas e instituições do país para participar em tertúlias e encontros com os leitores – reptos aos quais o autor nunca diz “não”, porque “a Poesia é o seu altar”!


GÉNESE POÉTICA

Fechado no meu mundo vejo o Mundo.

Em mim já se passeia toda a gente.

Só quando escrevo é que eu, bem lá no fundo,

Sou capaz de ser mar ao sol poente.

Abuso da caneta – essa alavanca

Pela qual me enamoro e dou à luz.

Poemas sem palavras de cor branca

Transbordam de alfarrábios e baús.

Tropeço em cada passo que não dou.

Hesito nos abraços que transgrido.

A Vida ainda agora começou…

No entanto, já pareço ter vivido.

Cumpro-me, burilando esta agonia

E relendo, um a um, os versos meus.

A génese do Grito da Poesia

É idêntica à génese de Deus.

Rasgo ideias. Construo mais receios.

Abro portas. Regresso à solidão.

Todos os meus segredos enganei-os,

Chamando a lágrimas-de-amor traição.

Visto de ganga a alma e de verniz

As metáforas soltas contra a voz.

Partirei tão feliz como infeliz

E tão acompanhado como a sós.

Cansei de ser; de não, também cansei.

O sal do meu sorriso dei ao mar.

E posto que morrendo viverei,

As ondas falarão o meu falar.

(in “Raios-X À Alma – Eco Do Silêncio”)


CRIAÇÃO

 Ao frenético ritmo do Poema

Devolvo as sílabas que em jorro saem.

Fecundo ideias. Dou à luz um tema

Que põe rima nas lágrimas que caem.

Não há gramáticas no meu dilema:

As metáforas quase me distraem.

Ignoro até se ao certo este problema

Não serão as palavras que me traem.

Os livros por escrever já foram escritos.

Os versos por dizer também já ditos.

Quem bota voz esculpe um coração.

Sou o autor do Silêncio e o seu leitor.

O pilar das estrelas é o Amor.

No meu tinteiro cabe a Imensidão!

(in “Raios-X À Alma – Eco Do Silêncio”)


Sou Assim!

Não me venham com perguntas!

Não tenho respostas nem sei responder!

Olhem-me de alto a baixo

– Se é que têm olhos para ver –

E vejam que sou

A reposta

Cristalina

Em pessoa!

E não preciso de heterónimos,

Pseudónimos,

Ortónimos

E outrónimos

Para saber quem sou!

Contenho antónimos e sinónimos dos outros

E, no entanto,

Sou anónimo de mim!

Não me venham com perguntas!

Sou assim!

(in “Transgressão – Poemas Ao Ocaso”)


fonte das imagens: Minerva

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