EU SEM(N)TI: 14 DE FEVEREIRO – DIA DO AMOR, DE SÃO VALENTIM E DOS NAMORADOS

16788113_10154943889152305_617101502_n“É só teu o meu livro; guarda-o bem;
Nele floresce o nosso casto amor
Nascido nesse dia em que o destino
Uniu o teu olhar à minha dor.”

Florbela Espanca


Aproxima-se o 14 de fevereiro. É já terça-feira o Dia de São Valentim, do Amor e dos Namorados.

Na biblioteca já nos preparámos – um dia com a atividade a que demos o nome de EU SEM(N)TI.

Já criámos a Árvore do Amor com direito a frases suspensas, luzes, a obra de Florbela Espanca em destaque, corações vermelhos (alguns espalhados), e tudo e tudo!

E, porque inúmeros escritores expressaram os seus sentimentos amorosos em versos ou expressões de inexcedível beleza, os nossos alunos e colaboradores da Biblioteca da EBEC irão distribuir amor (em formato de frases ou recadinhos de amor de muitos escritores conhecidos). E quem não gosta de receber um miminho??

Sobre a temática ‘Amor’ apresenta-se abaixo alguns exemplos de poemas com indicação do respectivo autor/escritor.

Que este EU SEM(N)TI (amor) em poemas ou frases possa servir de ponto de partida para leituras  mais profundas da obra dos escritores referenciados. É o nosso desejo.


OLHOS NEGROS

Por teus olhos negros, negros,
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores…
E eles a dizer que não.

E mais não quero outros olhos,
Negros, negros como são;
Que os azuis dão muita esp’rança
Mas fiar-me eu neles, não.

Só negros, negros os quero;
Que, em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim…
Nunca mais dizem que não.

in «Folhas Caídas e Outros Poemas»,
de Almeida Garrett


AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões


OLHA, MARÍLIA, AS FLAUTAS DOS PASTORES

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre flores?

Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folgas a abelhinha pára,
Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que a manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se não te vira
Mais tristeza que a morte me causara.

Bocage


SENHORA PARTEM TAM TRISTES

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

João Roiz Castell-Branco
Poesia Palaciana
Cancioneiro Geral, III, 134


O AMOR É UMA COMPANHIA

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais
depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir
vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que
está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as
árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que
sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol
com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa


Algumas imagens de EU SEM(N)TI, 14.02.2017


Algumas imagens de EU SEM(N)TI, 1.02.2017 – preparação da atividade.


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