Tomas Tranströmer, prémio Nobel da Literautra 2011

O Prémio Nobel da Literatura 2011 foi atribuído a Tomas Transtromer, anunciou esta quinta-feira a Academia Sueca, em Estocolmo. É o sétimo autor sueco a ser premiado pela Academia.
 
 
Tomas Tranströmer nasceu em Estocolmo, em 1931. Os seus interesses passaram pela pintura e pela música, mas também pela arqueologia e ciências naturais em geral. Começou a escrever cedo, aos 13 anos.
O poeta sueco é também psicólogo (formado pela Universidade de Estocolmo, em 1956, e clínico até 1990) e tradutor. 

 

O seu universo literário descreve um imaginário de magia, onde o surreal é traduzido pela poesia. A sua obra está traduzida em mais de 60 línguas. Tranströmer não tem obra traduzida em português; no entanto, está representado na coletânea «21 poetas suecos», editada pela Vega, em 1981. Neste livro escreveu poemas sobre o Funchal e Lisboa.

De acordo com a nota da Academia dos Prémios Nobel, será o mais conhecido poeta escandinavo da actualidade para os falantes de língua inglesa.
Em 1990 Tranströmer sofreu um acidente vascular cerebral que lhe afectou a fala, deixando-o parcialmente afásico e hemiplégico.
Vive actualmente numa ilha e continuou a escrever, tendo desde então publicado três obras. Ao todo tem cerca de 15 obras numa longa carreira dedicada à escrita e venceu numerosos prémios literários, como o Prémio Literário do Conselho Nórdico, em 1990.
 
 Poema de Tranströmer
“Lisboa”, nas palavras do novo Nobel da Literatura
06.10.2011 – 15:51 Por PÚBLICO”No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.” (Jonatas Luzia (arquivo))
Num poema publicado em 1966, e editado em português no livro “21 Poetas Suecos” (Vega, 1980), Tomas Tranströmer oferece um olhar sobre Lisboa.

Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem o retrato.

“Mas aqui!”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada
e lá no cimo um homem à janela,
tinha um óculo e olhava para o mar.

Roupa branca no azul. Os muros quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?”

Tomas Tranströmer
Tradução de Vasco Graça Moura»

Público. Consultado em 7 de Fevereiro de 2011, em http://www.publico.pt/Cultura/lisboa-nas-palavras-do-novo-nobel-da-literatura_1515307.

 
 

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